
Hail, Friends. Estou aqui, curtindo minha insônia e ouvindo uma das minhas bandas favoritas dos anos 80's: 365. A música: São Paulo. Qual roqueiro paulista das antigas nunca cantou com empolgação "sem São Paulo, o meu dono é a solidão"?
Difícil pra mim falar da cidade em que nasci. Recém chegado das férias em Minas Gerais, acabo vendo a todo o momento os defeitos da cidade e sentindo falta da "terrinha". O trânsito por aqui é algo inexplicável, só consegue saber como é quem realmente mora por aqui; a poluição que me deixou com uma bronquite desde que cheguei de Minas e insiste em não passar; o barulho intenso que tanto me perturba e incomoda até nos finais de semana; a estafa do dia-a-dia (essa cidade respira stress); o medo que toma conta de mim todo dia quando chego tarde do trabalho... ah, o trabalho, que me faz todos os dias andar nos ônibus lotados de nossa Grande São Paulo...
Mas depois de pensar nisso tudo, fico dividido. Começo a pensar como é gostoso andar à noite na Av. Paulista, simplesmente por andar e curtir a avenida à noite. Ou nas salas de cinema daqui, que modéstia à parte, são as melhores do país. Ou nas pizzarias daqui, que são as melhores (aliás, sou viciado em cinema e pizza...). Para mim, viciado em livros, tem bibliotecas e livrarias aos montes (as bibliotecas da USP são as melhores). Sem falar no cenário cultural. Tem de tudo pra todos os gostos: música, dança, teatro, cinema, exposições e por aí vai. Quase todo show internacional tem passagem obrigatória por aqui. O berço do rock e túmulo do samba, como dito por Rita Lee em uma frase infeliz, abriga o rock e o samba - tanto o bom quanto o lixo dos dois gêneros.
Mudo a trilha sonora e começo a ouvir "Sampa" de João Gilberto, onde ele cita o cruzamento das avenidas Ipiranga e São João. Me lembro com uma paixão nostálgica dos meus primeiros anos de músico, quando eu passeava próximo às citadas avenidas, no bairro Santa Ifigênia, a olhar as vitrines das lojas de instrumentos que na época infestavam na região (anos depois a maioria se mudou para a rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, onde se mantém até hoje). Para um aspirante a músico era o local ideal para ir aos sábados e atualizar-me das novidades da música - além de conhecer outros músicos.
Troco de música e lembro-me novamente do lado triste da cidade. O grande guitarrista Faiska Borges tocando "Tietê River Blues" me mostra que poderíamos ter um dos cenários mais belos da cidade: o rio que corta toda a grande São Paulo. Me lembro também de como seria bela a paisagem com o Rio Pinheiros margeando a linha do trem que corta a zona sul, mas infelizmente o que se vê é um esgoto gigantesco a céu aberto, fruto da ganância das indústrias que por ali se instalaram e lançaram seus dejetos.
Paixão e rancor se misturam dentro de mim quando falo de São Paulo, onde nasci, cresci, trabalhei e de onde pretendo correr pra bem longe um dia (Montes Claros... quem sabe).
Mas chega de divagação. Por enquanto, fico por aqui.
Grande abraço.
Difícil pra mim falar da cidade em que nasci. Recém chegado das férias em Minas Gerais, acabo vendo a todo o momento os defeitos da cidade e sentindo falta da "terrinha". O trânsito por aqui é algo inexplicável, só consegue saber como é quem realmente mora por aqui; a poluição que me deixou com uma bronquite desde que cheguei de Minas e insiste em não passar; o barulho intenso que tanto me perturba e incomoda até nos finais de semana; a estafa do dia-a-dia (essa cidade respira stress); o medo que toma conta de mim todo dia quando chego tarde do trabalho... ah, o trabalho, que me faz todos os dias andar nos ônibus lotados de nossa Grande São Paulo...
Mas depois de pensar nisso tudo, fico dividido. Começo a pensar como é gostoso andar à noite na Av. Paulista, simplesmente por andar e curtir a avenida à noite. Ou nas salas de cinema daqui, que modéstia à parte, são as melhores do país. Ou nas pizzarias daqui, que são as melhores (aliás, sou viciado em cinema e pizza...). Para mim, viciado em livros, tem bibliotecas e livrarias aos montes (as bibliotecas da USP são as melhores). Sem falar no cenário cultural. Tem de tudo pra todos os gostos: música, dança, teatro, cinema, exposições e por aí vai. Quase todo show internacional tem passagem obrigatória por aqui. O berço do rock e túmulo do samba, como dito por Rita Lee em uma frase infeliz, abriga o rock e o samba - tanto o bom quanto o lixo dos dois gêneros.
Mudo a trilha sonora e começo a ouvir "Sampa" de João Gilberto, onde ele cita o cruzamento das avenidas Ipiranga e São João. Me lembro com uma paixão nostálgica dos meus primeiros anos de músico, quando eu passeava próximo às citadas avenidas, no bairro Santa Ifigênia, a olhar as vitrines das lojas de instrumentos que na época infestavam na região (anos depois a maioria se mudou para a rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, onde se mantém até hoje). Para um aspirante a músico era o local ideal para ir aos sábados e atualizar-me das novidades da música - além de conhecer outros músicos.
Troco de música e lembro-me novamente do lado triste da cidade. O grande guitarrista Faiska Borges tocando "Tietê River Blues" me mostra que poderíamos ter um dos cenários mais belos da cidade: o rio que corta toda a grande São Paulo. Me lembro também de como seria bela a paisagem com o Rio Pinheiros margeando a linha do trem que corta a zona sul, mas infelizmente o que se vê é um esgoto gigantesco a céu aberto, fruto da ganância das indústrias que por ali se instalaram e lançaram seus dejetos.
Paixão e rancor se misturam dentro de mim quando falo de São Paulo, onde nasci, cresci, trabalhei e de onde pretendo correr pra bem longe um dia (Montes Claros... quem sabe).
Mas chega de divagação. Por enquanto, fico por aqui.
Grande abraço.
Um comentário:
cara te admiro como pessoa. Te acho inteligente pacas, coisa que realmente deve-se valorizar hoje em dia num mundo tão emburrizado...
Parabéns Oscar, conheço um pouco da tua história e sei o qto vc lutou e venceu!
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